WhatsApp

Blog

Artigos e destaques na imprensa

Velocidade da luz para o aprendizado de máquina

A computação é uma das forças mais subestimadas e insidiosas que existem. Esse diagnóstico foi feito por Peter Diamandis, geneticista e pós-graduado em engenharia aeroespacial pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), cofundador da Singularty University, localizada no Vale do Silício (EUA) e atualmente um dos expoentes no debate global sobre os impactos da tecnologia para o futuro.

A computação evoluiu desde o Barbage - criado em 1822 como o primeiro computador eletromecânico de apenas um flop - para os supercomputadores chineses Titan NX de 11 teraflops e TaihuLight, que utiliza de cerca de 41 mil processadores. Mas os supercomputadores já são coisa do passado, diz.

"O que revoluciona mesmo é a nuvem. Em 2008, 100 teraflops custavam US$ 180 mil, e era preciso colocar num armário. Hoje a nuvem está desmaterializando o acesso a essa capacidade, e 100 teraflops custam US$ 3,06/hora na Amazon ou US$ 6,06/hora no Google ", ressalta Diamandis, que comandou o evento Abundance 360, na semana passada no Rio.

De forma semelhante, a computação quântica está fazendo com que a Lei de Moore seja reescrita - a miniaturização de transistores já demonstra sinais de estar chegando ao fim segundo especialistas -, e a principal implicação é que ela vai acelerar o machine learning.

"Se o desenvolvimento do aprendizado de máquina já está rápido, com a computação quântica vai ocorrer na velocidade da luz. Essa tecnologia também vai permitir simular sistemas naturais e decifrar todos os sistemas de criptografia já criados", afirma o especialista.

Diamandis prevê que haverá uma explosão de diferentes tipos de redes, com ampla instalação de fibra capitaneada por empresas como Facebook e Google, que estão lançando sistemas transoceânicos de fibra óptica; a 5G entrando em operação entre 2019 e 2020; o projeto Lune do Google com conectividade global por meio de balões aéreos; e a rede de satélites da Boeing.

"Em 2010, havia 1,8 bilhão de pessoas conectadas. Em 2017, eram 3,5 bilhões. Em 2025, serão 4,2 bilhões de pessoas querendo seguros, serviços de saúde, habitação e serviços baseados em blockchain, um mercado que vai representar trilhões de dólares", afirma.

O uso de sensores no campo biomédico, afirma Diamandis, é explosivo. Está em aplicações que permitem medir o batimento cardíaco, monitorar o sono e o despertar. Ele próprio tem um chip implantado na mão. E já estão em desenvolvimento estudos de sensores apelidados de "smart dust" ("poeira inteligente"), com um milímetro de diâmetro, carregados por uma célula fotovoltaica, capazes de levantar informações complexas sobre ambientes e corpos humanos.

Em relação à inteligência artificial, Diamandis considera que será a interface de usuário de última instância para acesso a todas essas tecnologias exponenciais, inclusive a impressão 3D. Bastará escrever o objeto que a pessoa deseja que a IA criará todas as instruções de máquina para a impressora. Diamandis mostrou os avanços nos recursos de visão, audição e até argumentação
para debate dos sistemas de AI e das redes neurais.

Na área de biotecnologia, as BCIs, ou interfaces computador-cérebro, muito em breve, poderão ampliar nossa capacidade cerebral conectando nosso córtex à nuvem, algo que já se vislumbra para 2025, afirma Diamandis. Outros avanços ocorrem na área de genômica com o sequenciamento do DNA e a possibilidade de, muito em breve, editar o código, eliminando sequências relativas a doenças.

Fonte: Valor Econômico



Receba novidades