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Metas ousadas e até lunáticas impulsionam os negócios

Encontrar um forte propósito e, com ele, tentar alcançar a lua. Pode parecer o mantra de um profeta, mas é na verdade o que sintetiza o segredo por trás das estratégias de negócio de empresas admiradas pelo que fazem e pelos bilhões de dólares que valem. As lições das gigantes do mundo da tecnologia vem sendo repassadas e podem ser sintetizadas em dois conceitos: pela sigla MTP (Massive Transformative Purpose ou propósito de transformação massiva) e Moonshot (tiro na lua).

Entusiasmado com essa filosofia exposta no segundo dia da conferência Abundance 360, realizada na semana passada, no Rio, Joseph Teperman, 39 anos, sócio-fundador da INNITI, (empresa paulista especializada em recrutamento de executivos), percebeu que poderia buscar um novo MTP. Seu foco está no trabalho de consultoria e headhunter, mas veio-lhe a inspiração para desenvolver um outro projeto.

"Tenho muito pouco tempo de sobra, mas o Peter (Diamandis) me chamou a atenção para algo que realmente me motivaria muito: fazer com que as pessoas não esperem apenas que alguém de emprego para elas, mas crie o seu próprio emprego", diz Teperman, que como a maioria dos brasileiros encara como problemático o alto e persistente índice de desemprego no país.

Diamandis acredita que motivações como a de Teperman ajudam na formação de um mindset mais positivo. O MPT de profissionais e até de organizações é um composto que envolve otimismo, visão de longo prazo, capacidade de inovar, de experimentar e a garra de não desistir diante de pequenos fracassos.

São comprometimentos que na prática mostraram como um CEO pode fazer diferença não só ao encontrar invenções e aplicações corretas, como ao enfrentar a pressão dos acionistas por retornos imediatos que nem sempre são o melhor para a empresa. Por isso, podem ser considerados os papas dessa nova mentalidade Larry Page (Google), Elon Musk (Tesla), Jeff Bezos (Amazon) e Richard Branson (Virgin).

Diamandis conta que ao fundar a Singularity University, há cerca de oito anos, metade dos novos alunos não sabia responder qual seria seu MTP. “O que eu aconselhei a eles é terem clareza de propósito, porque sem isso não estariam preparados", disse o guru.

Entre os estudantes que acreditaram na proposta da instituição, estava a brasileira Lindália Reis, hoje coordenadora do programa de formação executiva em inovação aberta da Fundação Getulio Vargas (FGV-Rio). “Naquele momento, diziam que eu era louca e que eram só previsões futurísticas, impossíveis de se realizar", conta a professora, que também é CEO da Ions Innovation, co-fundadora do Movimento Juntospelo. Rio e realizadora do Hacking.Rio.

Lindália acredita que o Brasil é um excelente laboratório para a aplicação das ideias de Diamandis, por ter problemas de grande proporção e pela vocação da população para a adoção de novidades. "Não é por acaso que somos 'early adopters' de vários apps e redes no mundo. Se for para criar algo disruptivo, que seja no Brasil que precisa mais do que nunca na educação, saúde, segurança, mobilidade urbana etc."

Diamandis aconselha as empresas a buscaram sempre metas ousadas e- por que não? - lunáticas. Em vez de um plano de crescimento de 10%, podem ambicionar crescer dez vezes. Basta “pensar fora da caixa", mas sem deixar de ter um projeto concreto, objetivo e mensurável. São os chamados moonshots, que prometem planos que, mesmo que não deem totalmente certo, tendem a mover as companhias para cenários melhores.

Paulo Loeb, 43 anos, sócio da agência de publicidade paulista F.biz, acredita que "sair da zona de conforto" não é mais apenas uma alternativa, mas uma necessidade premente das empresas na atual competitividade. Ele é responsável por um núcleo voltado a publicidade B2B (business to business), ainda pouco explorado no mercado, e que ao apostar nessa alternativa acabou dando um "tiro" ousado. "Explorar o novo é não ter medo de errar. Acredito que seja a melhor definição de moonshot", diz.

Fonte: Valor Econômico



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